Uns adaptam-se, outros…

Não é a primeira vez que alguém se aproxima de nós na rua para puxar assunto. São brasileiros que se sentem reconfortados em nos ouvir falar (por mais que já estejamos habituados a alguns verbetes e expressões, falamos como brasileiros) e puxam assunto. Além disso, quando vamos a alguma loja, restaurante ou mercado e há algum brasileiro trabalhando, eles puxam assunto.

Sinceramente eu acho estranho. Não me queixo, pelo contrário, acho legal porque vocês sabem que vivo aqui só com meu marido e ainda não trabalho, então não tenho muito contato com pessoas e é sempre bom falar com mais alguém, descontrair, mas o que é estranho é que as pessoas se abrem de uma forma como se nos conhecessem há muito tempo. Ninguém fala de intimidades, mas é tal como um desabafo.

Eu sou meio bicho do mato e não sou muito de falar com estranhos (papai e mamãe me ensinaram isso desde cedo rs), mas fui educada a responder quando falam comigo. Acho que isso deixa as pessoas mais confortáveis ainda pra serem sinceras para “abrir o coração”.

Primeiro foi um funcionário do SuperCor, que nos ouviu nos corredores, procurando massa de pastel. Ele se aproximou e disse que aquela loja era pequena (pequeníssima, deve ter uns 800m²), mas se tivesse algum produto que estivéssemos procurando ali e não tivesse, que falássemos no caixa, que a pessoa tomaria nota e providenciaria o produto, além disso eu seria avisada quando o produto chegasse.
Até aí eu diria que foi apenas pró-atividade de um funcionário, mas depois veio a pergunta: estão aqui há muito tempo?
E nós respondemos que estamos cá há alguns meses, e o assunto surge. “Estão gostando? Pretende ficar cá?”
Daí começa o bate-papo. Quando perguntamos “e você?”… temos a resposta “já gostei, mas estou aqui há 7 anos e vou juntar mais um dinheiro e daqui a uns dois anos eu volto”. Ele era do Espírito Santo.

Outro dia, no mesmo mercado, no departamento de frios e embutidos, fomos comprar queijo e pedimos para fatiar. O rapaz nos atendia agora falava um sotaque português perfeito. Quando percebeu que nós dois também viemos do Brasil, desfez o sotaque luso e encarnou um “mineirês”, apesar de nos dizer que era gaúcho. Então veio a fatídica pergunta “e vivem aqui há muito tempo? estão gostando? vão voltar pro Brasil quando?”

Nossa resposta é sempre assim: “Estamos cá há alguns meses, estamos amando viver em Lisboa, e não pretendemos voltar nunca mais, no máximo a passeio depois de já conhecermos alguns lugares aqui na Europa”.
Então vem a revelação “o quê? eu não aguento mais isso aqui! vou só juntar mais um dinheiro e vou voltar”.

Outro dia, na estação de comboios, enquanto esperávamos sentados no banquinho o Santa Apolónia, uma senhora vinha em nossa direção, e me ajeitei no banco para que ela pudesse sentar também. Ela disse que ficássemos à vontade porque tinha muito espaço. Eu respondi que tudo bem, estávamos confortáveis e tinha espaço para todos. Ela era brasileira e percebeu que nós também. E comentou do calor (estava com um sol lindo e o céu super azul naquele dia). Eu comentei de volta “é verdade, esquentou um bocado essa última semana”.
Em seguida um jovem atravessou as plataformas pelos trilhos, em vez de usar a passarela sobre a estação. E ela teceu outro comentário “essa juventude… só fazem disparates”. Eu concordei com o comentário e nem tive tempo de dizer mais nada. Ela começou a se queixar de tudo. Dos jovens, dos brasileiros que vêm pra cá pra fazer besteira, da zona que ela mora, dos portugueses que são fechados demais, que não dá pra confiar em ninguém, que só quer fazer dinheiro e que ano que vem ela vai embora. Ela morava em Goiás. O comboio chegou e eu a chamei para sentar-se conosco (os bancos são duplos, mas sempre um de frente pro outro). E ela desabafou. Disse que a filha dela faz faculdade aqui e assim que acabar, vão-se embora, porque aqui ela ganha muito dinheiro cuidando de idosos, e no Brasil ela ganharia em um ano o que ela ganha em dois meses aqui. Não falamos de valores, mas foi essa a comparação que a senhora fez.

Outro dia, meu marido foi à baixa e descendo a Avenida da Liberdade um rapaz puxou assunto com ele. Era um gaúcho, que estava há uma semana aqui em Lisboa, e viu meu marido engravatado e perguntou “você é brasileiro, né?”. Meu marido achou engraçado, porque ele não tinha dado um piu e o camarada descobriu que ele é conterrâneo. Respondeu que sim, e então o rapaz puxou assunto. Disse que estava procurando emprego, se tinha alguma dica, que queria trazer a família pra cá depois, e perguntou se ele estava gostando de viver aqui. A resposta é sempre a mesma “estou cá há alguns meses, e estou amando viver aqui, não pretendo voltar”.
Mas esse gaúcho fez uma pergunta diferente: “como são as pessoas aqui?”

Interessante o que ele perguntou… porque na verdade os portugueses são muito reservados. Acho que essa é uma característica de países frios. Quanto mais frio o país, mais frias são as pessoas.
Quando é apresentado a alguém, não existe o tal “três beijinhos pra casar”, e muito mal um aperto de mãos. Fica no cumprimento a distância mesmo “olá, como vai?” ou apenas ”boa tarde”.

Tem uma loja de artigos brasileiros perto daqui de casa, cuja dona é uma bahiana (minha mãe é bahiana, assim como todas as minhas tias e eu tô bem habituada ao clima nordestino) e todas as vezes que vou lá ela queixa-se demais de Portugal. Fala mal das pessoas, diz que nada funciona, não confia nos médicos, diz que as pessoas nos mercados e restaurantes são mal educadas, e não vê a hora de voltar pro Brasil.
Sei que os bahianos ainda são mais “outgoing” do que os cariocas, que um “dedo de prosa” é fundamental, e honestamente, isso não existe aqui.

Já tentei puxar assunto com portugueses e eles limitam-se ao “pois….”. Isso quer dizer que não vão adentrar no assunto, não vão continuar a conversa e estão sendo educadíssimos em te responder. É sério.

Quanto estive aqui em 2006, a turismo, achei o comportamento das pessoas um tanto quanto frio, rude e tal, mas hoje eu entendo que eles não são muito de risos e comentários porque eles são extramamente reservados. Somente alguns brincam ou retribuem um sorriso.

Tem um Irish Pub na Rua da Pimenta, no Parque das Nações, e certa vez fomos lá almoçar, e pedi um imperial (chopp). Quando o rapaz trouxe de volta, disse de forma muito simpática ”olha o choppinho!”. Ele era português.
Esse tipo de comportamento é raro. No máximo eles pedem licença e colocam o copo na mesa, saem tão rápido que nem dá tempo de ouvir o meu “obrigado” por ter me servido.
Eles são extremamente educados, mas não necessariamente serão simpáticos.

Entendo que algumas pessoas não se adaptem ao clima (as estações são muitíssimo bem definidas), ao raciocínio we trust in people, ao humor do português (as piadas aqui são pesadas ou bobas demais, nunca o meio termo), ao fato da moeda ser quase 3x mais que a do Brasil e fazerem conta pra tudo (comprar pão e converter em Real, comprar refrigerante e converter em Real, comprar cerveja e converter em Real, etc) e acharem tudo super caro, etc.
Mas eu acho que a partir do momento que você decide atravessar o oceano para viver em outro lugar, é de bom tom entender os hábitos e costumes do local, respeitar as regras da sociedade, e principalmente, respeitar a sociedade. Não adianta puxar assunto com uma pessoa na padaria. Não vão te dar bola. Vão te olhar torto e te dar as costas. Mas isso não tem nada a ver com o fato de ser brasileiro, e sim porque o povo português, principalmente os mais velhos, são muito reservados e não falam com estranhos.
Claro que existem excepções, mas no geral as pessoas são assim.

Portugal é um país pequeno, mas muito aconchegante. Eu amo essa terra, amo viver aqui. É duro ver que algumas pessoas não conseguem “se adaptar” à vida aqui. Mais duro ainda é ver que a maioria das pessoas que não se adaptam acham que tudo deveria ser tal como no Brasil, na cidade onde viviam. Talvez pensem assim pelo fato de falarmos o mesmo idioma, mas esse raciocínio é totalmente errado, porque não falamos a mesma língua. Existem verbetes diferentes, nomes diferentes para objetos (exemplo: o limão aqui é chamado de lima; e o limão aqui é aquele amarelo, igual o dos filmes americanos),  expressões diferentes, utilização de verbos de forma diferente (aqui não existe gerúndio), etc.

Fica então o meu alerta: aqui é maravilhoso, mas não é exatamente igual ao Brasil, as pessoas não são tais como as brasileiras, os hábitos não são como os que convivíamos.
Se são melhores ou piores? Depende do ponto de vista. Ao meu ver é muito melhor, mas será que você vai pensar da mesma forma que eu?

Pense nisso.

O dia mais triste da minha vida

Terça-feira, 26 de maio de 2009.

São 9:20 da manhã, do lado de cá do oceano. Acordei com um pesadelo – que não lembro –  e não consegui voltar a dormir.
Acordei relativamente cedo, porque com a minha rotina de dormir às 5 da manhã normalmente acordo entre as 14 e as 16 horas.

Levantei, fui para a sala, liguei a TV e coloquei nas séries de TV mais chatas, pra tentar pegar no sono de novo. Nada.
Liguei o computador e entrei no site do meu mais novo vício: Travian. Precisava atualizar minhas aldeias (eu jogo em dois servidores).
Além do Travian também tenho uma castelo no GuerraKhan.

Meu irmão que me “iniciou” nesse vício. E tem me ensinado a jogar.
Quem joga sabe que existe um correio interno no servidor, onde podemos mandar e receber mensagens de outros jogadores. Tinha uma mensagem em cada um dos servidores, além do GuerraKhan.
Eram todas do meu irmão. Ele queria falar comigo urgente.

Já eram umas 16h aqui em Lisboa, e como eu queria dar uma voltinha, caminhar pelo Tejo, simplesmente não respondi.
Acessei meu e-mail, porque… vai que surge alguma oportunidade de emprego? Não custava nada perder 15 minutos mandando um CV para mais umas 5 ou 6 oportunidades.

Abri meu Windows Live Mail e tinha um e-mail da minha mãe com o assunto “urgente”, em letras maiúsculas. Gelei.
A mensagem dizia:

“Tenho uma notícia muito triste.  Ligue para o seu pai ele está em casa ou ligue para o meu celular. Daqui do trabalho não consigo ligar.
 
Foi com o seu filho.”

Liguei pra minha mãe pelo Skype e o dia 26/05/2009 passou a ser o dia mais triste da minha vida. Meu filho, meu bebê, meu companheiro, a vida que eu me tornei responsável em 24/12/1997. Foi meu presente de Natal. O melhor de todos.
Meu yorkshire, o Brandon, morreu aos 11 anos de idade, por volta das 5:20 da manhã.

Há duas semanas meu pai percebeu que o olho esquerdo dele estava inchado, e com muito pus.
Eu lembro que de vez em quando aparecia pus sobre os olhos dele, então eu limpava com soro fisiológico e pingava duas gotas de Biamotil (um colírio). Acho que isso acontecia já há uns dois anos. Antes de vir para Portugal eu deixei por escrito, preso à geladeira, orientações completas sobre como cuidar dos meus filhos (comida, troca de água, vermífugo, limpeza, banho, tosa, medicações, etc).
brandinhoMe refiro a eles como filhos e é assim que os considero. Já fui julgada, ofendida, diminuída e etc, por usar o termo “filho” para um animal de estimação. Já me acusaram de comparar o filho de uma colega de trabalho com um cachorro, por colocar fotos dos meus cães na “paredinha” da minha mesa de trabalho. Foi isso o que eu fiz. Então essa colega me perguntou: “ah, você gosta de cães?” e eu respondi amigavelmente “eu amo! são meus filhos”. Daí ela disse “você então está querendo dizer que os meus filhos são cães?”
E começou a discussão. Não parti para a ignorância, nem a ofendi, mas deixei claro o meu ponto de vista: eu os crio como filhos (mimo, dou comida na boca, dou presentes, pego no colo, brinco, converso, dou banho, dormiam comigo na cama – até eu casar – comprava roupinha, etc), e quando eu tiver filhos não deixarei de amá-los como tal. A diferença é que são meus cães e os trato com todo o amor do mundo e quando eu puser uma criança no mundo, será a criança mais amada do planeta. E isso não tem nada a ver com o fato de chamar meus cães de “filhos”.

Voltando ao olho do meu filho… Meu pai levou o Brandon na vet que cuida dele desde os 2 meses de vida, e ela recomendou uma cirurgia para a remoção do olho. Tratava-se de uma bactéria (não sei qual) que consumia o tecido ocular e poderia passar para o outro olho e chegar até o cérebro. Para a cirurgia era necessário acabar com a inflamação (pus). A cirurgia foi marcada para domingo, dia 31/05/09.
Desde então a medicação tem sido dada ao Brandon, tem sido feita a higiene e curativo diário no olho afetado, e ele começou a apresentar melhoras.
Mas algumas coisas acontecem e não sabemos porquê.
Por algum motivo Deus não quis que ele continuasse a encantar a todos com seu jeito dengoso de deitar aos nossos pés e pedir carinho, e a irritar a todos com seu latido matinal, nem com seu uivo vespertino, quando bate o sino das 18h.
Meu pai ligou para a vet do Brandon e disse-lhe que no domingo ele estava a tossir e a espirrar, como se estivesse resfriado/constipado. A dra. disse que isso é uma caracterísca que antecede alguns ataques cardíacos em cães pequenos.
Isso quer dizer que meu filho, que não tinha nenhum histórico de doença (a não ser uma indisposição hepática antes de completar 1 ano de idade), tinha todos os dentes, não era obeso, se alimentava com Science Diet, corria pelo quintal diariamente durante muitas horas (um quintal de 500m² dispensa as caminhadas na rua), morreu de um uma falha cardíaca aos 11 anos? A expectativa de vida dele era de 17 anos.

Não sei realmente se foi isso, ou se ele apenas desistiu de me esperar.
Como eu disse antes, ele era meu filho, e ele me tinha como o ser vivo em que podia confiar plenamente.
Eu tenho a certeza que ele me esperava. Há 6 meses ele tem a expectativa de me ver entrar pela sala, chamá-lo, dizer “fio toin”, pegá-lo no colo e dar a ele toda a sensação de segurança e proteção que ele teve por 11 anos.

Me culpo pela morte dele. Mas não me arrependo de ter vindo para Portugal. Apenas me arrependo de não ter trazido ele junto comigo. Ele estava com meus pais, na casa que ele cresceu, que ele está acostumado desde sempre, com todos os outros cachorros que ele convive desde sempre. Na época eu decidi o que seria melhor pra ele. Ignorei a minha necessidade de tê-lo perto e pensei no sofrimento que ele passaria em fazer uma mudança tão radical.
Mas eu não podia adivinhar. Se eu trouxesse ele comigo, se eu soubesse e se estivesse realmente predestinado para ele morrer no dia 26/05/09, os últimos 6 meses seriam os mais felizes da vida dele.

Então eu deixo meu apelo àqueles que pretendem ter um animal de estimação: pensem que é uma vida que tem ali naquele ser pequeno, indefeso, e principalmente, pensem que aquela vida também tem a capacidade de amar.

Eu como no Burger King

Sempre tive vontade de experimentar sanduíches do Burger King. Apaixonada por fast food que sou, sempre ouvi falar desta rede de fast food, e sinceramente… falar muito bem.

A carne dos hamburgers não são feitas na chapa, e sim numa grelha, estilo “barbecue”, que dá um sabor incrível ao sanduíche. O carro chefe é o Whopper (com suas variações mais populares Double e Triple), seguido do Big King (parecido com o BigMac do McDonalds, mas com a carne muito mais saborosa). Também tem sanduíches com carne de frango, mas confesso que nunca consegui chegar ao caixa e pedir um desses. Sempre peço o Whopper ou BigKing ou DoubleCheeseBacon.

Sanduíches à parte, foi notícia também cá em Lisboa a campanha londrina do BK…
Não sou louca, mas eu não interpretei como os jornais brasileiros… e nem como a multidão carioca.
Não sabe do que estou falando?

 

Agora você já sabe.

Bem, em primeiro lugar, vou transcrever o anúncio e um detalhe que esqueceram: “One way to Rio not necessary. King Deals. You’ll fell like like you’re robbing us.”
Traduzindo: “Viagem só de ida para o Rio não é necessário. Transação King. Você vai sentir como se estivesse nos roubando”.
Importante: se digitar no google tradutor o significado de “deal”, terá 11 substantivos e 8 verbos para definir esta palavra, inclusive “traficar”.

Esse é o detalhe que esqueceram de mencionar. É uma campanha que desmistifica o preço elevado do menu no BK, dizendo que está tão barato que os londrinos pensarão que estão roubando o BK. Mas o que o Rio tem a ver com isso?

Simples. O famoso britânico Ronald Biggs, que na década de 60 participou do assalto ao trem pagador (e que virou uma lenda na terra da Rainha Elizabeth) fugiu para o Rio. Mas por quê o Rio? Mais simples ainda: naquela altura não havia compromissos recíprocos ou tratados de extradição firmados entre o Brasil e o Reino Unido.
Para além disso, o Rio é o significado internacional de paraíso (praia + sol + calor + biquíni + mulheres + caipirinha +samba +moeda fraca).
Essa história fez o Rio tão famoso que todos os bandidos de filmes querem viver na cidade maravilhosa. Essa semana eu vi a primeira versão de Onze Homens e um Segredo (Ocean’s Eleven) onde o papel que na versão mais recente era do George Clooney, na anterior era interpretado pelo saudoso mr. Blue Eyes (Sinatra). Lembro claramente dele falando que depois de executar o “plano” ia embora com a esposa para o Rio.
Hoje, antes de começar a escreve este post, estava assistindo à serie Dead Zone (com aquele loirinho que fez o filme Mulher Nota 1000, na década de 80). Era a 2ª temporada, acho que episódio 17. Nesse episódio o John Smith (o loirinho) foi pescar com o amigo e seu filho, e o garoto encontra um pedaço de metal no chão e como o John é médium ele vê que o metal é de um avião que caiu há 4 anos. Vão falar com um guarda florestal sobre o assunto, e ele se junta com mais duas pessoas e vão em busca do avião. Ainda no início do episódio é revelado que os três que se juntaram ao John e companhia estavam em busca do local de queda do avião porque queriam a carga, que estava avaliada em 2 milhões de dólares. No meio do episódio a mulher do lado ruim fala assim “Então, senhor médium? Qual é o meu futuro? Vou estar casada com um ricaço na Suíça ou estarei de biquíni no Rio?”

Se não me engano, no Superman (o clássico, com Christopher Reeve), Lex Luthor também queria ir para o Rio.
O Globo fez em dezembro/2008 uma reportagem sobre o destino favorito de bandidos, que não seria mais o Rio, e sim São Paulo. Colocou à disposição dos leitores um link com os filmes cujos bandidos têm o Rio como destino do “rest in peace”. A matéria está neste link, mas para ler será preciso um cadastro no globo online.
A lista inclui os seguintes filmes:

  • Um dia a casa cai (1980) > Com Tom Hanks, que compra uma casa de uns trambiqueiros que fugiram para o Rio. A casa está caindo aos pedaços. Literalmente.
  • Irmãos Gêmeos (1988) > Com o Governador da Califórnia (não sei escrever o nome dele) e Danny de Vito. Eles são irmãos gêmeos fruto de uma experiência científica e o personagem de deVitto estava fugindo para o Rio quando resolveu voltar para salvar o irmão.
  • Nuns on the run (1990) > Com um camarada que fazia Monthy Python. É sobre dois gangsters que querem parar de ser bandidos, então pegam duas malas cheias de dinheiro e vão para… o Rio!

Tudo isso aconteceu graças ao Biggs. Se ele soubesse que ia fazer esse sucesso, talvez tivesse registrado a idéia e processado todo mundo por plágio. Ia ficar rico e não precisaria apelar para o filho fazer com que ele não passasse fome. Ah, você não sabia disso? Nem eu. Descobri há pouco, fazendo a pesquisa para o blog.

Eu era feliz quando criança. Tinha todos os brinquedos que queria (não era mimada, apenas sabia escolher “o” brinquedo) e gostava muito de cantar de dançar. Trem da alegria, Xuxa, Arca de Noé, Balão Mágico…
O que isso tem a ver com o Biggs? Tudo!
Lembra do Balão Mágico? Aquela música “Super Amigos”? Não? Veja o vídeo abaixo.

A música começa assim “Meu nome é Mike, gosto muito de brincar!”
Pronto. Esse é o filho do Ronald Biggs. O nome de verdade do rebento é Michael Biggs. Ele é filho do Ronald com uma dançarina de casa noturna (é o que dizem no Wikipedia). O menino garantiu o conforto do pai enquanto estava na turma do balão, mas se o Biggs pai tivesse aquela idéia brilhante de registrar a idéia de fugir pro Rio… rs

Brincadeiras à parte, eu quero apenas deixar o meu protesto. Não contra a campanha do BK, mas à ignorância brasileira!!! Se não entendeu a piada, não repete pra outra pessoa.

Mas… será que algum carioca ficou doído achando que seria uma tremenda injustiça falar que no Rio tem bandidos?

Transportar-se cá em Lisboa

Uma das minhas maiores tristezas no Rio era o metrô. O trem supervia também (e olha que quando eu usava o trem, na época do 2o. grau, não havia chicotada), mas o metrô era meu transporte para o trabalho.
Eu pegava um ônibus até o metrô (cerca de 5 minutos de viagem, o meu limite) e o metrô do subúrbio até o centro da cidade. Isso quer dizer eu ficava no aperto até a Estácio, e de lá eu fazia a transferência para a linha 1, sentido centro. Que tristeza… Chegava no trabalho suada, fedida, amarrotada e já peguei micose umas três vezes. Me habituei a usar casaco o blazer dentro do metrô, até chegar no meu destino, só pra proteger a minha pele do suor alheio. Quem faz esse trajeto sabe exatamente do que eu me refiro.

Essas coisas me faziam pensar… que motivação tenho eu para acordar cedo e ir para o trabalho? Não via a hora de experimentar fazer isso em Lisboa, porque por mais que fosse cheio, não seria insuportável como o transporte público no Rio de Janeiro.

Se eu fosse de carro (carona básica do meu marido ou do meu irmão, porque eu não dirijo) tinha que sair de casa antes das 7 da manhã pra chegar lá no centro da cidade 8:30 em ponto. O mesmo trajeto era feito em 30 minutos nos finais de semana ou madrugada, mas na hora do rush, tinha mais de uma hora só de trânsito. Na minha lua de mel alugamos carro cá em Lisboa e rodamos quase Lisboa (distrito) inteiro e mais alguns outros lugares mais para o centro (Batalha, Leiria, Fátima, Mafra, Óbidos…), e não pegamos um segundo de trânsito sequer. Nem buracos, nem engarrafamento, nem blitz, nada.

Pois bem.
Cheguei cá em Lisboa num domingo, ficamos pelo Campo Pequeno mesmo (na praça de Touros), e no dia seguinte acordamos cedo para começar nossa perigrinação pra tirar o Número do Contribuinte do meu marido. Fiquei chocada com o metrô. Ah! Aqui chama-se metro (tal como a unidade de medida que equivale a 1000 cm). Vou elencar, pra ficar mais bonito:

  • são 4 linhas (verde, azul, amarela e vermelha)
  • a verde tem correspondência (conexão) com todas as outras, mas já estão resolvendo esse problema levando a linha vermelha para correspondência com a amarela e a azul também. Obras prontas em outubro de 2009.
  • os assentos são acolchoados e aveludados;
  • abre às 6:30 da manhã;
  • funciona até 1:00. Sim, uma hora da manhã;
  • os vagões são abertos entre si (com aquelas articulações), pra você mudar de vagão caso queira;
  • as pessoas que estão na plataforma esperam as que estão dentro do vagão desembarcarem primeiro, antes de embarcarem (ai, civilização….);
  • sempre tem lugar pra sentar. SEMPRE. Isso não quer dizer que sempre esteja vazio, mas as pessoas aqui não têm aquela sede por se sentar. Por isso, mesmo que haja pessoas em pé, sempre vai ter algum lugarzinho pra você;
  • nunca está abarrotado de gente;
  • pode transportar bicicletas, em qualquer dia da semana, no último vagão;
  • pode transportar animais de estimação. Acho que eles pagam passagem (no comboio pagam meia passagem), mas o importante é que ele seja pequeno (até médio porte vai), seja bonzinho, educadinho e esteja com coleira e guia.

Só tenho duas coisas ruins pra dizer:

  • os assentos são pequenos, e tem um lugar na lateral, perto da articulação entre um vagão e outro, que tem assento para 3 pessoas, mas para sentar 3 ali tem que dar uma espremida. Só cabe mulher magrela, porque os homens teriam que ficar com as pernas fechadinhas…
  • às vezes aparecem uns cegos pedindo esmola (tem gente que dá, são poucos, mas acontece) ou pessoas tocando acordeão pra ganhar um trocado. Eu já vi um cego que saiu do vagão quando um dos guardinhas do metrô apareceu. Como ele sabia, já que é cego? Essas coisas me fazem ter a certeza que não podemos dar esmola, para não incentivar os pedintes. Aqui o Governo fornece toda a ajuda possível, mas disso falarei em outro post.

O diagrama da rede abrange duas zonas: Coroa L (dentro do Concelho de Lisboa) e Coroa 1 (fora do Concelho de Lisboa). A maioria das estações está na Coroa L, e ainda não usei o metro para fora do Concelho.

O preço da passagem varia de acordo com sua intenção de contribuir para o meio ambiente, ou seja, se usar o bilhete recarregável, fica mais barato.
Bilhete simples (uma viagem, uma zona): 1,30€
Bilhete simples (uma viagem, duas zonas):  não sei porque nunca usei e nunca reparei no valor, mas vou ver e atualizo, ok?
Uma viagem, uma zona, usando bilhetes carregáveis: 0,79€
Uma viagem, duas zonas, usando bilhetes carregáveis: 1,10€

Zapping - é um cartão verdinho, válido por um ano, onde você pode usar não só no metro, mas também nos comboios, transtejo e carris, tendo que fazer o carregamento nos respectivos administradores de transporte. O limite de valor a acumular é de 20,00€.

  • 2,50€ é o valor mínimo para comprar o primeiro cartão, ficando 2,00€ de crédito
  • Carregamento do Viva Lisboa:
    2,00€
    5,00€ (bônus de 0,15€)
    7,00€ (bônus de 0,35€)
    10,00€ (bônus de 0,75€)
    15,00€ (bônus de 1,15€)

Lisboa Viva – é um cartão magnético, com um chip, que tem sua foto, e é válido por 4 anos, ou até a data de expiração do seu documento de identificação (o que vier primeiro). Nesse cartão você pode não só comprar passes individuais, mas também comprar passes combinados, que valem por 30 dias. O custo de emissão desse cartão é de 7€, e leva 10 dias úteis pra ficar pronto. Se quiser urgente, vá na estação Alameda, faça a mesma solicitação, pague a taxa de 10€ e fica pronto no dia seguinte.

Passes combinados – É um valor mensal que você carrega no seu cartão, e que te dá a possibilidade de usar os transportes incluídos no passe que você comprou, quantas vezes você quiser, no intervalo de horário que pretender, por 30 dias corridos. Vou citar apenas os que conheço ou já usei.

  • Carris + Metro (uma zona): 28,10€
  • Carris + Metro (duas zonas):30,85€
  • Comboios CP Lisboa + Metro Coroa L: 34,35€

Existem outras combinações, específicas com as linhas dos comboios (Sintra, Azambuja e Cascais), que têm variações de preços dentro da própria linha, de acordo com a estação que você quer.

A parte interessante é que os jovens estudantes (de 4 a 18 anos) têm desconto no valor dos passes. Aqui os estudantes de escolas públicas não têm passagem de graça, mas pensa bem… o usuário comum não paga um percentual sobre a gratuidade (é isso o que acontece no Brasil, a passagem tá cada vez mais cara porque as empresas alegam que tem muita gratuidade, e quem paga é você, não eles).
O mesmo acontece com os idosos (chamados aqui de reformados, ou seja, aposentados) e os pensionistas (pessoas com a renda mensal familiar seja inferior ao salário mínimo nacional) também pagam passagem, mas têm desconto de mais de 50% no valor da passagem.

Todas as informações sobre o metro e respectivas tarifas e linhas estão aqui.

Mais acima eu falei de Carris e comboios. Carris são os ônibus e elétricos e comboios são os trens.
Existem outras companhias de ônibus (autocarros) como a Rodinhas (de Loures), mas eu só usei até hoje os Carris.
No site da Carris tem um cronograma de horário para a saída dos autocarros e até ver as opções de linhas para o destino que você quiser.

São 9 linhas, ou melhor, 9 zonas com trajetos, sendo que 2 são exclusivas para os bohêmios: funcionam sextas, sábados e véspera de feriados só de madrugada, para você beber e não dirigir.
Pra entender o horário não é muito difícil. Vai aparecer algo assim:

23 00 20 40
24 00 20 40
01 00 20 40
02 00 20 40
03 00 20 40
04 00 20 40

Traduzindo:
Em negrito, é a hora, e o que não está em negrito são os minutos. Isso quer dizer que eu posso contar com esse autocarro às 3h, às 3h20min e 3h40min.
Tudo tem horário certinho, os trechos têm uma expectativa de horário e nunca vi um se atrasar.
Se você estiver num ponto de ônibus da carris e quiser saber quando é o próximo, tem na placa do ponto de ônibus um número para você mandar um SMS, e então chegará pra você uma mensagem parecida com a tabelinha que coloquei ali acima.

O tarifário da Carris funciona tal como  o raciocínio do metro: preserve o meio ambiente e pague menos para viajar.

Tarifa de bordo (você não tem bilhete nenhum, entra no autocarro e paga ao motorista): 1,40€.
Usando bilhetes recarregáveis: 0,81€
Bilhete combinado com o metro 24h, usando bilhetes recarregáveis(use o quanto chegue por um dia): 3,70€

Como não poderia deixar de ser, existem duzentas mil combinações de passes de 30 dias também  nos carris. É informação demais, por isso deixo o link aqui pra você. Não deixe de conferir as 3 “abas”: títulos próprios, intermodais e combinados.

Agora a parte que eu demorei mais pra entender… Os comboios…
Existem as companhias CP, Fertagus e uma outra que vai pela ponte 25 de Abril para chegar até Setúbal (eu sou péssima pra nomes, eu sei).
Eu só usei até hoje a CP, então não tenho como dar muita informação sobre a Fertagus.

Bem, eu conheço três linhas de comboios da CP Lisboa, mas existem 4:

  • Azambuja
    São 24 estações no total, com dois trajetos a partir da estação Oriente. Geralmente é Azambuja-Santa Apolónia e Castanheira do Ribatejo-Alcântara Terra.
  • Sintra
    Não sei quantas estações são. Sei que vai até o Rossio, e até então são 14 estações. No final de semana a linha de Sintra se mistura com a de Azambuja, aí complica um pouco.
  • Cascais
    Essa é fácil! São 17 estações, no trecho Cais Sodré-Cascais, não interliga com nenhuma outra linha. Funciona diariamente e o intervalo varia de acordo com a demanda de passageiros.
  • Sado
    Nem sei onde é rsrsrs. Mas pelo mapa da CP é essa a linha que cruza o rio Tejo. Talvez seja pela 25 de Abril, mas eu acho que tem outra companhia que faz o mesmo. Não a usei ainda, pretendo usá-la para comer peixe em Setúbal! O trajeto é Barreiro-Praias do Sado.

Depois de tentar entender como funciona a diagramação da rede, tem a dificuldade de entender os horários, identificar a plataforma e saber se o trem que você quer para na sua estação. Ah! Eu esqueci de dizer. Alguns trajetos não param em todas as estações ou apeadeiros (pequenas paragens). Mas depois de uns 15 dias de totó (= dumb) eu consegui entender e hoje tiro de letra (o meu trajeto, é claro).

Na parte comum da estação (geralmente embaixo da plataforma) tem uma TV com as próximas entradas de comboios. As informações fundamentais que nela aparece são:
Horário / Destino / Linha
O destino é o ponto final (por isso você tem que conhecer o diagrama da rede). A linha é a plataforma que vai dar entrada o comboio. E o horário é na risca. Não atrasa um minuto. Caso ocorra algum atraso, fica uma observação na tela.

Então, quando você vai para a plataforma, tem uma outra TV com todas as estações que o comboio fará paragem.

As tarifas variam de acordo coma Zona.
Zonas    Valor
1               1,20
2               1,30
3               1,70
4               1,80

E por aí vai. São no total 8 zonas.
Mas não se desespere. Todas as informações estão disponíveis no site da CP, você coloca o local de origem e o de destino, a data e vem a lista de todos os comboios.
Na linha de Azambuja eu sei que tem comboios até 1 da manhã, mas não sei se isso vale para as outras. Nas sextas, sábados e vésperas de feriados tem na madrugada, pensando sempre nas pessoas que gostam de uma imperial e não devem dirigir.

Com o tempo vamos descobrindo a forma mais rápida, que caminha menos, que é mais barata, etc pra chegar no destino.

Revolta cibernética

Hoje faz um dia lindo em Lisboa. O céu está azul azul azul, sem nenhuma nuvem pra estragar o visual. A temperatura está super agradável, cerca de uns 27ºC com uma brisa fresca. Então eu fiz o meu desjejum (porque ao meio dia não pode ser um pequeno almoço), liguei o meu notebook pra ver meus e-mails (ainda estou na caça ao emprego) e me candidatar a mais algumas vagas e em seguida me arranjaria pra dar uma volta pelo parque da cidade, na beira do Tejo.
Quando comecei a ler meus e-mails tinha um cujo assunto era: “Brasil”.
Tratava-se de um powerpoint, com aquelas animações irritantes e com um conteúdo inaceitável. Sei que a vontade de passear se foi e ficou a vontade de escrever de volta pro autor do powerpoint.

Talvez você já tenha recebido esse e-mail e quem sabe se sentiu como eu. O conteúdo do tal texto irritante é uma indignação de uma brasileira, que vive na Holanda, e que acha o Brasil o supra sumo do planeta.

Desculpe-me, mas acredito que 9 em 10 brasileiros que visitam um país de primeiro mundo voltam para sua terra brasilis questionando as condições de vida, a política, os impostos, a justiça, etc.  Pelo menos foi isso o que aconteceu comigo e o que pessoas que conheço que tiveram a oportunidade de visitar países desenvolvidos.

Para que você tenha noção das barbaridades que foram escritas, vou reproduzir aqui o texto. Ele aparecerá em itálico, e eu farei um breve comentário embaixo.

BRASIL, TERRA ABENÇOADA POR DEUS!!!
Comentários de uma brasileira que mora na Holanda.

Em primeiro lugar, o que uma brasileira faz na Holanda se acha o Brasil melhor? Não quero entrar em detalhes agora porque preciso reservá-los para o meio do texto, mas… é melhor viver num país onde a renda per capta é cerca de USD 5mil (uns R$11.500,00) do que num país que é USD24.700 (uns R$56mil)??
Para essa observação acima, vamos fazer de conta que a distribuição de renda no Brasil é tal como a da Holanda, ok?

Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil. E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos enquanto no Brasil se maximizam os negativos.

Discordo. Eu até tento não pegar pesado com a imagem negativa do Brasil aqui fora, mas é complicado, viu? Estou em Portugal há 6 meses e todos os dias eu abro o globo online para ver as notícias. Não teve um dia sequer que vidas foram poupadas, que assaltos não ocorreram, que o governo não está envolvido em atos de corrupção, etc.
A questão não é que o brasileiro acha que o Brasil não presta. O Brasil não ajuda a mudar esse ponto de vista.
Esse tipo de comentário é sem dúvida feito por um petista. O presidente Analfabeto Lula da Silva disse que nunca viu suíço falando mal da Suíça. Mas falar mal de quê? Para não perdermos tempo, vou deixar aqui o link do Wikipedia sobre a Suíça. Se o presidente tivesse pesquisado sobre isso antes de falar besteira, teria menos uma pérola…

Aqui na Holanda os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.

Por que será? O único país que tem eleição automatizada é o Brasil… Será que isso tem alguma coisa a ver com facilitar fraude? Ou será que é porque o sistema eletrônico de votação não é assim tão confiável? Por que os países de primeiro mundo não o adotaram ainda? Oh, dúvida cruel…
E… particularmente, eu prefiro que a apuração dos votos demorem uma semana, mas que os 4 anos seguintes sejam de um excelente trabalho em prol do povo.

Só existe uma companhia telefônica e (pasmem!), se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone  temporariamente desconectado.

Ai, que mentira. Eu trabalhei com telecomunicações no Brasil, especificamente no departamento que faz a cobrança do tráfego entre operadoras internacionais. A KPN é a maior operadora de telecom da Holanda, mas não é a única. E não sei de que cidade no Brasil seria essa ser humana que mora na Holanda, porque no Rio de Janeiro, até bem pouco tempo atrás, só tinha telefone fixo da Telemar. Em São Paulo era somente a Telefônica. Em Curitiba era somente a Brasil Telecom.
No caso da Holanda, a KPN é a detentora da maior quantidade de serviços e assinantes de serviços telefônicos, mas existem outras operadoras da Europa que atuam lá, como a alemã T-Systems.
E eu DUVIDO que cortem a sua linha se reclamarem do serviço. A autora desse texto só pode estar a falar da Telerj, Telesp, Telemig, etc.
Aqui eu contratei a MEO como tv por assinatura, telefone e internet. A contratação dos canais é por controle remoto. Se eu quiser cancelar qualquer serviço, eu acesso a página de compra de canais, faço a alteração que eu quero e pronto. Sem stress, sem anotar protocolo, sem esperar 7 dias úteis, sem pagar multa, sem escutar musiquinha, sem ser transferida pra nenhum departamento irresponsável, sem ouvir gerundismos.

Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo – ou de lavar as mãos – antes de comer.

Olha… isso aí eu já não sei. Mas enrolar o sanduíche num guardanapo ou lavar as mãos antes das refeições não é critério para eleger se um país é bom pra se viver ou não, é sinal de falta de higiene do indivíduo que o faz. O que dizer então da Arábia Saudita, onde é sinal de boa educação arrotar à mesa, após a refeição? E na Itália? Lá palitar os dentes na frente do anfitrião siginifica que a comida estava boa e você está satisfeito. São costumes, e não análise sócio-econômica.
Eu sei que o povo europeu não sujas as ruas, não urina em todos os postes como se estivesse demarcando o território, não estraga o patromônio público. Não me incomodo em comer sem guardanapo. Prefiro andar em ruas limpas.

Nas padarias, feiras e açougues europeus os atendentes recebem o dinheiro, e com a mesma mão suja te entregam pão e carne.

Mentira!! Isso acontece nas feiras livres no Brasil.
Na Europa geralmente a pessoa que te serve não é a mesma que recebe o pagamento. Fica um no caixa (geralmente o dono do negócio) e um empregado no balcão.

Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas maxwell-williams-french-fry-cupsem folhas de jornal, e tem fila na porta!!!

Exagerar é feio, hein! Isso acontecia antigamente (bem antigamente mesmo, acho que na década de 60) nas barraquinhas de porcarias que ficam na rua, mas há muitos anos foi proibido por questões de higiene… E aí inventaram algo chique, só pra manter o tradição. São uns cones de porcelana, com motivo de jornal.

Na Europa, não fumante é minoria. Se você pedir mesa para não fumante o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até no elevador!!!

Concordo que aqui fuma-se horrores. Mas a lei anti-tabagismo aqui é tão séria que nem nas lojas de ginjinha pode-se entrar com qualquer tipo de cigarro ou cachimbo aceso. E é uma micro lojinha, que só dá pra duas pessoas ao mesmo tempo. Em todos os estabelecimentos e shoppings é proibido entrar com cigarro aceso e isso virou crime, pelo menos aqui em Portugal. E garçon nenhum ri na cara de ninguém.

Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria, e qualquer garçom de botequim no Brasil poderia ir para lá dar aulas de: “Como conquistar o cliente”.

Eu ainda não fui a Paris, mas já estive em diversos lugares de Portugal e fui à Barcelona. Todos são sempre muito educados e a diferença é que não ficam de 10 em 10 minutos perguntando “mais um, chefe?”. Eles aguardam você chamar.

Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo?

Colocam as pessoas num campo de concentração?

 Impõe suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emocionados.

Ok. Crença e cultura brasileira. Crença podemos citar o sincretismo religioso e a invasão da igreja do Edir Macedo. Crença política? Impossível. Cultura? Eu diria a MPB, a Bossa Nova, nossos grandes poetas, novela brasileira. E isso é mais valorizado fora do Brasil do que dentro dele.

Temos uma língua que apesar de não parecer nada com a língua portuguesa é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de Software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com seus usuários brasileiros através da língua portuguesa.

Acho que definitivamente essa pessoa é louca. A língua portuguesa é o idioma oficial de 11 países. Um professor meu dizia que a língua é viva e por isso ela evolui. As influências culturais são os principais fatores para essas mudanças, e no Brasil temos também a influência indígena. Na África alguns dialetos locais enriqueceram a língua portuguesa, e alguns verbetes foram até adotados aqui em Portugal (ex.: bué, que significa muito). Segundo a ABL o idioma falado no Brasil é reconhecido como Língua Portuguesa e não Língua Brasileira. Se os manda-chuvas do be-a-bá dizem isso, quem sou eu pra dizer que estão errados!

Somos vítimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc… Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar nossas raízes culturais.

Crimes contra a pátria? Eleger um analfabeto para presidente e mantê-lo no poder é um atentado à vida!

Os dados a seguir são da “Antropos Consulting”.

Procurei essa empresa e nada mais é do que uma consultoria de antropologia empresarial. Não tem nenhuma pesquisa relacionada aos assuntos elencados abaixo.

1 – O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate a AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial

Mais ou menos isso… Secretário Geral da ONU disse em 2005 que o modelo de combate à AIDS no Brasil seria um bom modelo a ser adotado pelos países mais pobres. O exemplo mundial no combate à AIDS ainda é os EUA e a Alemanha.

2 – O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

Os países que participam desse projeto são África do Sul, Angola, Arábia Saudita, Argélia, Brasil, Butão, China, Congo, Coreia do Norte, Cuba, Estados Unidos, Jamaica, Marrocos, México, Países Baixos, Reino Unido.  Me avisem pra onde a África do Sul foi transferida, porque se ela não está mais no hemisfério sul, alguma coisa aconteceu!

3 – Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

O Rio de Janeiro é uma cidade tão solidária que as pessoas até cedem o assento nos transportes públicos para idosos e gestantes. Ninguém nem precisa pedir que alguém já se levanta e cede o lugar. Claro, que isso é tão verdade quanto essa pesquisa. Eu procurei, em três idiomas, alguma pesquisa que envolve 50 cidades e que tem o Rio de Janeiro entre a mais solidária e juro que não encontrei. Ou essa pesquisa foi inventada (como a maioria das coisas que foram escritas pelo autor do tal powerpoint), ou ela não foi divulgada… o que invalida uma pesquisa.

4 – Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, fornecendo os resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.

Credibilidade do processo de apuração das eleições americanas?????  De qual Estados Unidos estamos falando? Daquele que é a maior potência mundial ou de algum outro que só existe na cabeça do falante?

5 – Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado da América Latina.

Fico tão orgulhosa em saber que todo mundo tem orkut, mas nem sempre tem o que comer ou dinheiro pra passagem.  Eu sei que a quantidade de usuários de internet no Brasil aumento muito e essa informação está no site da Teleco, mas afirmar que 40% dos internautas está no Brasil pode até ser verdade, levando em consideração o tamanho do território brasileiro e a população das regiões Sudeste e Sul.

6 – No Brasil temos 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

Essa informação eu realmente não consegui sucesso na pesquisa. Se você souber de algo, por favor, complemente esse tópico.

7 – Das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos, 97,3% estão estudando.

Ha ha ha ha ha!!!

8 – O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações por mês.
9 – Na telefonia fixa, nosso país ocupa a 5ª posição em número de linhas instaladas.

Não sei se é bem esse número, nem se fica nessa posição. Na Teleco tem todas as estatísticas, mas nada com estes números.

10 – Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade IS0 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México são apenas 300 empresas e na Argentina 265.

Outra informação que não tem nenhuma fonte na internet. É muito fácil citar uma pesquisa e não os detalhes dela. É tão fácil quanto inventar. O erro do brasileiro é se comparar aos outros países de 3º mundo. Por que não pegar os exemplos do primeiro mundo?

11 – O Brasil é o segundo maior mercado mundial de jatos e helicópteros executivos.

Que maravilha! Afinal, os jatos e helicópteros executivos são meios de transporte de primeira necessidade.
Por que será que a tal pseudo-holandesa não disse que os meios de transporte de massa no Brasil são caóticos? Que no Rio de Janeiro o metro é insuportável, nos horários de pico mal dá pra entrar no vagão, vamos empurrados, esmagados, suados e às vezes o ar condicionado não funciona. Em São Paulo, o trem tem um cheiro horrível, por causa da poluição do Rio Pinheiro que fica ao lado. É um cheiro a enxofre, insuportável. Claro que nossos executivos não precisam passar por isso, porque São Paulo tem o 2º maior tráfego de helicópteros do mundo.

Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil?

Qual a opção que eu tenho?

1 – Por que não nos orgulhamos em dizer que nosso mercado editorial de livros é maior que o da Itália, com mais de 50 mil títulos a cada ano?

Bem… 43,1% da população italiana confessou ter lido pelo menos um livro no ano passado. O Brasil está em penúltimo lugar na tabela do analfabetismo, então vamos encarar os fatos: a maioria dos brasileiros não compra livro. Primeiro porque é caro. Segundo, porque 11,7% da popução não sabe ler (isso porque no Brasil o conceito de alfabetização limita-se a saber escrever o próprio nome).
É excelente saber que o brasileiro lê mais que há 10 anos, mas está looooooooonge de chegar aos pés da Argentina, que é conhecida internacionalmente como o lugar que mais tem livrarias. Existem mais livrarias em Buenos Aires do que no Brasil inteiro.

2 – Que temos o mais moderno sistema bancário do planeta?

Cobrando 300% de juros nos cartões de crédito e uma fortuna de taxas e impostos, tinha que ser o sistema bancário mais perfeito do mundo! Mas não é.  Agora com o Febraban as coisas tendem a ficar menos bagunçadas, mas está longe de ser o mais moderno do planeta.

3 – Que nossas agências publicitárias ganham os maiores e melhores prêmios mundiais?

Criatividade o brasileiro tem de sobra. E isso é algo que temos que nos orgulhar e tirar proveito. Mas é importante lembrar que existem pessoas criativas em todas os países e classes sociais.

4 – Por que não falamos que somos o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

Pra “tapar o buraco” que o Governo deixa pra trás. ONGs e mais ONGs surgem, uma pra cada necessidade. Só que não são 70% dos brasileiros que dedicam seu tempo para o voluntariado. São 22,6% segundo o site Portal do Voluntariado.

5 – Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo?

Terceira o quê???

6 – Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

O Congresso está fazendo o quê? Punindo quem?? Quero nome de 3 políticos que estão presos por conta das acusações do mensalão.

7 – Por que não lembramos que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?

Não tenho como negar. O brasileiro se esforça em aprender outros idiomas para se comunicar melhor com os estrangeiros, mas isso é porque se o Brasil não investir num diferencial para o turismo… a coisa complica. Mas isso não é exclusivo dos brasileiros. Não sou lá muito “viajada”, mas os lugares que visitei correu tudo muito bem.

8 – Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?

Ai, isso não é orgulho nenhum! Pra mim é uma vergonha! Os brasileiros em vez de se manisfestarem contra as barbaridades que acontecem, ficam em casa fazendo um churrasquinho. Os que se manifestam são os pseudo-intelectuais ou as pessoas que sofreram com tragédias a sério (vide família da Gabriela e do João Hélio). Brasileiro é um povo com memória volátil. Esquece rápido.

É, minha gente! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.

Raças? Entre os homens existe uma raça só: a humana. Infelizmente não podemos falar o mesmo das classes sociais, que o Brasil não é lá um bom exemplo de união. As pessoas agem da seguinte forma: cada um por si, Deus por todos. Ainda bem que a maioria acredita em Deus.

Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques, talvez porque sua verdadeira língua pátria não seja bem entendida.

Alto lá! Aqui em Portugal nunca tive problemas com meu sotaque brasileiro! Não sei onde existe essa “verdadeira língua pátria”, afinal, a língua é a mesma que cá em Portugal, e dizer que não é bem entendida… Que absurdo.

Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.

Nem todos. O calor do Rio de Janeiro é insuportável!!

Bendita seja, querida pátria chamada BRASIL!!!

Então que seja uma pátria abençoada e que acorde para a realidade. Que pense mais um pouco antes de votar, que não se esqueça dos escândalos governamentais, e nem dos idosos e gestantes a esperar por um assento num transporte coletivo.

Emprego em Lisboa

Achei o dia de hoje muito sugestivo para este post.

Não me lembrava de como é cansativo procurar emprego.
Seis meses em casa me deixou cheia de disposição, mas serei sincera: haja disposição…

Meu primeiro passo (depois de ter toda a documentação ok, que me habilite a trabalhar) seria elaborar meu currículo.
Não adiantava pegar o meu currículo brasileiro, o mais recente que eu tivesse. Tive que refazer tudo, dentro do modelo europeu.
De início achei uma seca, mas pensando bem… interessante isso de ter um padrão de currículo, hein? Facilita para a pessoa que está lendo as informações e eu achei a diagramação interessante. A parte boa é que o que importa é o conteúdo, não o layout. Sim, no Brasil eu tinha que caprichar no layout, pra que o “selecionador” descobrisse que sou uma pessoa original e criativa. Ok, até parece que 100% dos currículos bonitinhos refletem a personalidade do indivíduo. Eu poderia ser uma profissional totalmente despreparada, tímida, mal humorada, sem imaginação, e tudo mais de ruim que possa existir para um colega de trabalho, e ainda sim ter um currículo bonitinho. Bastava copiar o layout. Vai me dizer que nenhum amigo seu te pedia o seu CV como exemplo, pra ”ter uma idéia”?.

Então esse problema acabou. Ah! Você não sabe como é o modelo europeu? Relax. Pensaram nisso também.
Existe um site chamado Europass que quebra o seu galho e organizar tudo no layout. Não é mentira, eu juro!!
Não precisa ser fera no Word para fazer seu cv no modelo europeu já que existe o Europass. Você preenche os campos e o Europass faz o currículo. E neste site você ainda escolhe o idioma. Tem mais de 20 opções.

Além do currículo você também pode fazer um Passaporte de Idiomas: um documento, como um currículo, mas voltado para línguas estrangeiras. Não fiz porque não valia a pena. Se meu objetivo profissional fosse a área de formação (= treinamento) de idiomas ou dar aulas, faria todo o sentido, mas eu preciso apenas dizer que sou fluente ou não em determinado idioma. Quando eu aprender francês, quem sabe? rsrs
Por enquanto o quadro de conhecimentos de línguas que está no currículo é o suficiente as áreas que pretendo. 
Existe uma classificação européia de conhecimentos de idiomas. Está entre A, B e C, sendo “A” o menor e “C” o maior, e cada um destes possui os níveis 1 e 2. Os “recrutadores” conhecem bem esta nomenclatura, don’t worry. O meu quadro de idiomas ficou assim:

quadro_linguas

Lindo, não? Foi o Europass quem fez.
No final do preenchimento do currículo tem uns campos que são de aptidões e competências sociais, de organização, técnicas e informáticas. Não deixe de preencher estes campos. Se você é dinâmico, coloque lá. Se conhece de Linux, Mac, não deixe de fora! Se pretende emprego num restaurante e tem habilidade como barista (fazer cafés), põe também.

E quando se candidatar à uma vaga, não esqueça de fazer uma pequena apresentação de si. Tem que ser breve, pra dar ao “selecionador” aquela vontade louca de abrir o anexo e ler sua experiência profissional. E tem que ser uma apresentação específica pra vaga que pretende. Não vale a pena fazer uma apresentação padrão e mandar para todos as vagas, tem que fazer uma apresentação pra cada uma. Destaque as características que possui de acordo com o exigido no perfil do profissional, anexe seu cv, finalize a mensagem com “melhores cumprimentos” (é horrível, eu sei, mas aqui é tudo muito formal), pensamento positivo e “send”. Ah! Em português de Portugal, ok?

Para começar a procurar emprego visite uns sites de divulgação de vagas. Não são poucos, por isso que eu disse que é cansativo. A maioria pede para preencher um formulário online, e no final, pede pra anexar o CV. Eu tive um trabalho imenso em descobrir os sites de emprego, e seria muito cruel não dividir isso com outras pessoas. Por este motivo, lá vai:

Eu digitei os links, então se algum não entrar, me avise, para que eu corrija. Todos os sites acima existem com certeza. Palavra de quem está a procura de trabalho.

Além de vagas divulgadas existem empresas com recrutamento próprio, sendo necessário fazer uma candidatura pelo site da empresa. Se não houver vaga anunciada, faça uma candidatura espontânea. Se você já me achava gente boa por ter relacionado os links anteriores, agora você vai ter a certeza que eu quero todo mundo trabalhando:

A Zara e a C&A também são excelentes oportunidades, mas não têm cadastramento no site. A Zara até divulga no site as vagas disponíveis no mundo inteiro e por agora não tem nada cá pra Portugal. A C&A nem isso. Tem que ir pessoalmente lá.

Eu estou à procura de emprego há quase três semanas. Até agora não tive nenhum contacto das vagas a que me cadastrei. Das 43 vagas que enviei currículo (não estou incluindo as candidaturas espontâneas!) apenas 12 foram lidas (tive o cuidado de acionar o aviso de leitura do meu outlook). Vou ser otimista: apenas 12 pessoas que leram meu e-mail tiveram o cuidado de clicar em “sim” para enviar a confirmação de leitura.
Além disso, aqui é tudo muito… moroso. A demora é comum. Se há um feriado no meio da semana, é considerada uma semana curta, e tudo é deixado para a semana seguinte.
Se as vagas existem é porque há emprego.

A crise econômica abalou algumas cidades daqui de Portugal, em geral cidades do interior. O motivo é simples: as cidades pequenas possuem UMA fábrica. Nessa fábrica trabalha 90% dos moradores da respectiva cidade. A fábrica perdeu receita porque o consumo está reduzido, logo, diminuiu as encomendas feitas à fábrica, que diminuiu a quantidade de fabricação, que reduziu tudo o que podia e… fechou. Aí a cidade inteira fica desempregada.

Cá em Lisboa as coisas não estão assim, porque há muito mais escritórios que fábricas, muitas lojas, muito turismo, e existem muitos empregos em lojas de shopping, por exemplo. Para a área de turismo só posso dizer que se você têm afinidade ou experiência na área de turimos, Lisboa é o seu lugar. Se quer uma boa remuneração, vá para o Algarve. Lá é o “gringo’s place” rsrs.
Não elencarei os hotéis com seus respectivos sites porque não fiz pesquise para eles. Se bem que não é má idéia, mas não tenho formação na área. Pra te ajudar, recomendo começar a pesquisa pelas multinacionais hoteleiras: Ibis, Tryp, Marriot, etc.

Estipulei uma meta. Até o dia 18 de maio vou aguardar retorno das vagas a que me candidatei (e que vou me candidatando até lá). Caso nada surja, vou às lojas. Vou fazer um “downgrade” no meu cv, imprimir vários e vários e planfletar por aí.

Caso pense em fazer o mesmo, seguem os nomes dos principais shoppings, de Lisboa:

Existem outros shoppings, é claro, mas eu ainda não conheço todos.

Se depois disso tudo ainda não encontraste uma luz no fim do túnel, o Governo Português não te deixa na mão. Existe um órgão chamado IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) que além de fornecer cursos gratuitos para qualificar profissionais, também tem uma base de empregos disponíveis (junto com o site Net Empregos).

Vou abordar posteriormente a questão do estudo superior e técnico cá em Portugal. Estou ainda a fazer algumas pesquisas e assim que eu tiver informação suficiente será blogado. Sei que é totalmente diferente do que eu estava habituada no Brasil.

Eu ainda vi na TV o anúncio de um programa do Governo relacionado a emprego e visitei o site, mas não sei o que me deu que eu não guardei o endereço. Era de um órgão que você vai pessoalmente a uma das unidades, se cadastra e eles te oferecem um emprego. A regra é: não pode recusar.
São empregos menos qualificados, com uma remuneração mais baixa, mas é emprego, oras!
Quando eu vir novamente, eu anoto e faço um update aqui, combinado?

O segmento que ficou mais afetado pelo desemprego é o têxtil e automobilístico. As fábricas, é claro. Nos demais não houve alteração no quadro de funcionários ou apenas resolveram não fazer mais contratações.

O desemprego em Portugal atingiu os 8.5%, e a média na UE está em 8.9%, mas essa estatística não atingiu a área de informática. Tem um site chamado InfoJob que é focado em TI. Todas as ofertas para a área de tecnologia estão reunidas neste site. Se for um profissional qualificado então… nossa. Tem é vaga.

Por agora é isso. Bom dia do trabalho para nós e boa sorte para os que também estão na busca de um emprego.

É dia dos cravos

Lisboa, 25 de Abril de 1974.

Sim, Portugal passava por uma ditadura.
Sim, foi um golpe militar.
Sim, houve uma manifestação, em que a reivindicação era a liberdade do povo.
Sim, as ruas de Lisboa ficaram manchadas de vermelho.
Não, não era sangue. Eram cravos.

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Conta a lenda que no dia o self-service “O Franjinhas” comemorava o seu 1.º aniversário e o seu proprietário tinha comprado cravos vermelhos para oferecer aos seus clientes.  Devido à agitação revolucionária, o estabelecimento não abriu e uma funcionária do restaurante saiu com os cravos para que não murchassem. Ao ir para casa e vendo a felicidade do povo começou a distribuir pelos militares os cravos que os colocaram nos canos das suas armas.
Daí eles marcharam pela zona do Rossio de Lisboa, com as armas em punho e os cravos em suas pontas. Forçaram os governantes a abandonar seus postos. E funcionou!

Foi assim, mas não foi só isso.
Resumidamente, aconteceu o seguinte: os militares cansados de dançar conforme a música do Salazar e companhia, também chamado ironicamente de “a velha senhora”, se revoltaram contra o governo. Não foi de um dia para o outro. Ao longo de 9 meses, aconteceram brigadas, manifestações, e tal. Até que a revolução final foi organizada. Os líderes revoltosos combinaram com os que aderiram à causa que no dia 25 de abril de 1974, cerca de 2 da manhã, seria iniciado o ataque. Mas como eles saberiam que estava tudo certo? Como saberiam que poderia ir a diante com o plano? Precisavam de um código que fosse possível chegar a todos os quartéis, ao mesmo tempo, sem levantar suspeita. Justo o que aconteceu. Quando tocasse na rádio a música “Grandôla, Vila Morena“, o golpe seria iniciado. Os militares dos quartéis das zonas nos arredores de Lisboa (Santarém, Estremoz, Vilas Novas) marcharam em direção à Praça do Comércio, onde estavam todos os Ministérios. Pelo restante do país as forças militares também tomaram rádios e aeroportos. Também cercaram o quartel da Guarda da GNR (Guarda Nacional da República) no Carmo (também lá pros lados do Rossio de Lisboa). O Governo até tentou relutar, mas… o povo não deixou.dsc03558
Existia uma polícia chamada PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) que prendia os que se opunham ao Governo, mas não chegava… E os maus-da-fita (ou seja, o Governo) até tentaram mandar vir por terra e por mar reforços para parar a multidão, mas… não chegava.

O povo se uniu à manifestação militar, foram para as ruas, cantavam “o povo, unido, jamais será vencido” e outros brados retumbantes em prol da liberdade. Auxiliaram os militares, serviram comida e água, para que estes fortes guerreiros não precisassem abandonar o campo de batalha.

O Governo não teve outra opção, senão ceder. E deu-se a vitória ao povo. Desde este 25 de Abril, Portugal mudou. Para melhor, é claro!  Também mudou o nome da ponte que unia as margens do Tejo. De “ponte Salazar” virou ponte 25 de abril.

Eu achei que a Avenida da Liberdade, que liga a praça Marquês de Pombal à praça Restauradores, também tinha este nome em homenagem à revolução, já que os militares com cravos passaram por ali também. Pesquisei a respeito e descobri que a Avenida da Liberdade sempre foi chamada desse jeito, desde que o Marquês de Pombal reconstruiu a cidade de Lisboa após o terramoto de 1755. Mas é outra história, que eu conto em outro post depois.

Existem muitos textos sobre a revolução, e não vale a pena transcrevê-los. Prefiro citar os links, para os interessados:

Resultados do Wikipedia
Monografia sobre a revolução
Vídeo e textos sobre o 25 de abril
Área Militar.net
Opinião e Notícia.com.br
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dsc03519Eu não resisti e fui à manifestação. Calma! Fui hoje, em 2009, 35 após o grande evento da Liberdade. Na altura do acontecimento original eu nem era nascida, e meus pais de certeza ainda não planeavam o meu nascimento.

Não era bem um desfile, como o 7 de setembro, no Brasil. Era uma nova manifestação. As juntas de freguesias de diversas localidades, principalmente das que participaram da revolução de 74 estavam lá. Todos com cravos na roupa ou nas mãos, e quem não tinha um cravo, tinha um adesivo com uma foto de um cravo. Todos pediam liberdade, porque com a crise econômica, o povo ficou meio “podado”. Alguns criticavam o Governo, outros faziam manisfestações sindicais. Tinha bandas, tambores, carros de som e até gaitas de foles.

É claro que eu pus um cravo na minha lapela. Entrei no clima, e é a primeira vez que vejo um manifesto que é do povo, em prol do povo.

O ilustre poeta Chico Buarque também deu o ar de sua arte para a Revolução. Termino aqui com o videoclip de “Tanto Mar”.

A Páscoa do lado de cá

Aqui existem algumas tradições, que particularmente eu acho uma gracinha.

No domingo de Ramos, os afilhados oferecem à madrinha e ao padrinho algum raminho, seja uma orquídea ou uma samambaia. Na sexta feira Santa não come-se carne, apenas peixe. No sábado ninguém malha o Judas. No domingo a família se junta para almoçar, e no menu geralmente há cordeiro ou porco. O meu almoço de Páscoa foi em família,  no Norte do país, e na mesa tínhamos um leitão, salada de alface e batatas chips. De sobremesa: pão de ló, aletria e salada de frutas. Tudo bem tradicionalmente português.

O padrinho/madrinha, que ganhou um raminho de seu afilhado no domingo de ramos, presenteia o afilhado com um folar da Páscoa. Eu ainda não entendi muito bem como é esse folar. Pelo que li na internet é um pão doce que tem um ovo cozido, com casca e tudo, no meio. Coze-se o ovo, e coloca-o dentro da massa do folar e põe pra assar, tudo junto. Estranho? Um pouco…. Mas eu vi outras receitas de folar, que são salgadas e recheadas com chouriço… Hummmm… Isso sim deve ser uma delícia.

Alguns padrinhos oferecem aos afilhados aquelas amêndoas, cobertas com açúcar ou com chocolate. Dizem que a amêndoa é uma representação de Cristo. Eu sinceramente não entendi essa comparação. Enfim…

Depois do almoço de Páscoa tem a visita pascal.
São pessoas da Igreja que visitam os lares próximos à Igreja, trazendo uma mensagem de paz, dando a notícia que Jesus ressuscitou. Então as pessoas são aspergidas com água benta, depois da leitura da mensagem reza-se um Pai Nosso e então o mensageiro leva o Cristo crucificado pra cada um beijar (simbolicamente) os pés. Então todos se cumprimentam, desejam feliz Páscoa uns aos outros, e deixa-se uma rosa na casa visitada.

Não me lembro disso no Rio. A única tradição semelhante é a Via Sacra, que acontece na Sexta Feira Santa. Algumas casas no quarteirão da Igreja ficam com uma passagem, têm uma vela acesa à porta, sobre uma mesa, a Bíblia e algo que lembre uma das etapas da via Sacra. E só.

Eu achei legal. Não tinha como ser diferente, um país super católico como Portugal certamente manteria determinadas tradições.

Residente finalmente!

Ontem fui ao SEF, para atender ao “Comunicado de Comparência” que recebi, ou seja, a minha cartinha!!!

Na carta dizia que eu ligasse par ao SEF e marcasse uma data, e que nesta data eu levasse meu passaporte, a carta e o recibo de solicitação.

Eu, como todo bom brasileiro, tô acostumada com a burocracia, levei tudo a tira colo: comprovante de inscrição e número do contribuinte do meu marido, certidão de casamento, cópia do BI dele, comprovante de inscrição na segurança social, fotos 3×4, identidade brasileira, passaporte, cartinha e o recibo.

Estava marcado para as 9:30, mas eu já sabia que teria que pegar uma senha. Me arrumei toda (porque não sabia se ia ter que tirar foto de novo, ou se fariam mais um inquérito, queria estar bem apresentável, oras!), saí de casa lindamente, com toda a calma do mundo. Cheguei a tempo de pegar o comboio na estação, fiz a correspondência (é assim que chama a baldeação) para o metro, desci na estação Parque, andei uns 20m até o SEF.  Entrei no SEF exatamente às 9:38.
Cheia de orgulho, falei com a menina que distribui as senhas: “eu tenho uma marcação às 9:30, recebi esta carta” e entreguei a ela a cartinha.
A mocinha me respondeu: “ah, pois! é para levantar (pegar) o cartão”.

Fiquei toda prosa, porque eu achei que ainda ia esperar o cartão chegar em casa.

Peguei minha senha: C0041.
Ainda estava no C0025. Achei que ia mofar… Quando ia dar 11h, minha senha pisca na tela de LCD (eu mencionei isso? todas as telas são de LCD, tem o anúncio do número que foi chamado em português e em inglês e ainda por cima passa o canal RTP1 passa no canto da tela). Sentei, toda sorridente, cumprimentei a outra menina que me atendeu, entreguei pra ela a carta, e ela me pediu o recibo da minha solicitação.

Depois que ela me pediu o recibo, ela pediu também o passaporte.
Disse que eu aguardasse um minuto e sumiu. Em exatamente um minuto a menina voltou, com um cartão de papel, que parece uma carteirinha de vacinação, que tinha a minha foto. Ela devolveu-me o passaporte apenas e pintou meu dedo indicador da mão direita, carimbou minha digital no cartãozinho, me deu uma senha para a tesouraria, e pediu que eu fosse lá pagar uma taxa de 7€. Perguntei se eu voltaria lá para alguma coisa. Ela disse que não, da tesouraria eu ia embora direto.
Detalhe importante: ela não me pediu nenhum documento além, só o que foi pedido na carta… que mágico!!!

Peguei minha senha K0032, que piscou na tela de LCD em menos de dois minutos, paguei minha taxa feliz da vida, assinei um documento que dizia que eu estava recebendo meu cartãozinho e pronto. Estou residente!!!!!

Achei estranho porque eu tinha visto um monte de gente com um cartão magnético, que tem um chip, uma fotinho, meio avermelhado, sabe? E o meu é um cartão de vacinação? Mas será que eu pedi o cartão certo? Será que é esse cartão que me possibilitará trabalhar? E se eu quiser desbravar a Europa? Vou poder ter livre circulação com um cartão de residente, de papel, todo escrito em português?

Voltei pra fila das senhas. Queria tirar essa dúvida.
Uma moça, nada simpática, me atendeu. Disse a ela que eu tinha acabado de pegar o cartão, e queria saber se preciso tirar um outro documento agora, ou se é esse o meu cartão definitivo.
Aí, ela toda debochada, disse assim: minha senhora, esse é o cartão que a senhora vai usar como identificação; é o cartão que a senhora pode trabalhar; é o cartão que a senhora pode viajar; é o seu cartão.

Agradeci (claro, mamãe deu-me bons modos) e me dirigi ao DGI (Direcção Geral de Impostos), pra solicitar o meu Número do Contribuinte (que eu não sei se a sigla é NIC, NIB ou NIF). Fica ali pertinho do SEF, andei um pedacinho só. Cheguei lá por volta de meio dia. Esse demorou… e a minha senha era G0016, e estava no G0010 na tela há mais de uma hora. Eu já estava preocupada, achei que ia ficar ali o resto da tarde, porque só chamavam as senhas pra entregar o Imposto de Renda (IRS), que o prazo termina agora no dia 15/04. Mas do nada, começaram a chamar as senhas “G” e eu fui atendida, eram umas 14:30.

A moça que me atendeu lá foi simpática, mas estava meio perdida. Depois ela se achou e conseguiu tirar meu documento. Sorte a minha que eu levei tudo a tira colo, porque ela teve dificuldades de entender que eu sou casada com um português e estou residindo cá em Portugal, quero trabalhar e pagar impostos, por isso estava ali. Então ela pediu ajuda aos universitários rsrs
Deu tudo certo. Já tenho meu número do contribuinte e meu cartão de residente. Para trabalhar já basta.

À noite, meu marido lindo, ciente das minhas dúvidas sobre o meu cartão de vacinação rsrs, pesquisou na internet.
Aquele cartão magnético, vermelhinho, com a fotinho do indivíduo é como o cartão do cidadão, que reúne todos os números de documentos de um estrangeiro. Tem um padrão comum a todo o espaço da UE, e é com ele que eu posso viajar sem ser barrada ou deportada (porque meu visto de turismo no passaporte tá mais do que vencido, e qualquer fronteira que não seja atendida pelo SEF – fora do território português – que peça meu passaporte e veja a data do meu carimbo me colocaria no primeiro vôo para terra brasilis. Não, obrigada).

Dentro do território português, eu tenho direitos tais como os portugueses. É o estatuto de igualdade, promulgado no Tratado da Amizade, entre Brasil e Portugal (by FHC).

Fora dele, só com esse cartãozinho fofo, lindo e magnético, que tá no padrão UE. Para pedir esse cartão eu preciso pelo menos do número do cartão de residente (eu tenho!!), número do contribuinte (também tenho!!) e do número da segurança social (não tenho… ainda!).

A inscrição na segurança social será feita pelo meu primeiro empregador, ou seja, meu primeiro emprego!
E agora estou na busca da minha primeira oportunidade profissional do lado de cá do oceano.
Do jeito que estou ansiosa pra trabalhar, acho que todo qualquer tipo de serviço, mas vou começar procurando pelo o que eu já fazia no Brasil: resolver problemas de faturamento, cobrança e cadastro em empresa de telecom.

Wish me luck!!!

Reciclagem terminada em “ão”

É a nova onda lusitana. Tudo aqui é em prol da preservação do meio ambiente.
O valor do imposto do carro (como o IPVA, do Brasil) é calculado de acordo com o peso do automóvel e com a emissão de gases. Juro que não é mentira, e confesso que é muito justo, porque não é o valor do carro que vai desgastar as vias por onde anda, e sim o peso do automóvel; e também não é o valor do carro que vai poluir o ambiente. A título de informação, o valor do imposto anual do carro não chega a 50 euros. Enfim…

Tem sido feita desde os primeiros anos de escola para os miúdos (forma gentil de chamar as crianças)  uma conscientização de que é necessário reciclar, não deixar luzes acesas quando sair de um cômodo, se estiver vendo TV deixar o video game e o computador desligados, não atirar lixo na rua, e chamar a atenção dos mais velhos quando estes não fizerem a distribuição seletiva de lixo, para reciclagem.

Existem programas de TV pra orientar e incentivar a população a reciclar, ou melhor, a facilitar a reciclagem. Encontramos pontos de reciclagem a cada esquina, que são grandes lixeiras fechadas, identificadas por cor e com aberturas diferentes, uma para cada tipo de material.ecoponto

Verde (ou Vidrão) = para vidros
Azul (ou Papelão) = para papel e papelão
Amarelo (ou Embalão) = para embalagens de plástico, tetrapak, metal e alumínio

Não é qualquer vidro ou papel ou embalagem que pode ser colocado no Ecoponto. Material infectado não pode. Lâmpadas não pode. Talheres e ferramentas não pode. Guardanapo de papel não pode.

A recolha é feita periodicamente, de acordo com um caléndário pré-determinado por cada Junta de Freguesia, e à noite: não atrapalha o trânsito. Quem organizou isso tudo foi a Sociedade Ponto Verde, uma organização sem fins lucrativos. No site da Ponto Verde tem informações bem fáceis de entender, e com animações que são atrativas para os mais pequenos.

A Deco Proteste (tipo um procon, mas não é um procon) tem uma página rica em informações sobre o assunto.

Além destes 3 pontos temos ainda  o Oleão (tem um post sobre ele em Março/09), o Electrão (para eletromésticos que seriam jogados fora) e o Pilhão (para pilhas e baterias).

ponto-electrao

 Estes dois são encontrados em mercados, o Electrão fica geralmente nos estacionamentos e o Pilhão fica na porta do mercado.

A recolha de pilhas e baterias já estava sendo feita no Brasil e eu, como tinha um MP3 player a pilha, sempre tinha uma para descartar. O Banco Real dispõe nas agências, ao lado dos caixas eletrônicos um recipiente tipo o Pilhão. Eu ficava com a bolsa cheia de pilhas pra descartar, porque não sabia quando ia ao banco de novo. Às vezes eu ia ao banco só pra jogar as pilhas fora.  Quando as pilhas usadas são descartadas em lixo comum, e vão para os aterros sanitários, acabam contaminando o solo com uma substância tóxica, e com a chuva, são levadas até os lençois de água.

Cada ser vivo necessita de uma quantidade mínima de espaço natural produtivo para sobreviver. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é, portanto, essencial, pois só assim somos capazes avaliar se vivemos de forma sustentável. Isto não significa, claro, que se possa consumir e gastar mais ainda há capacidade disponível. Pelo contrário, se queremos deixar espaço para  as próximas gerações temos que lhes reservar o máximo de espaço.

E foi assim que nasceu o pilhaoconceito de “Pegada Ecológica”. Criada por William Rees e Mathis Wackernagel a Pegada Ecológica permite calcular a área de terreno produtivo necessária para sustentar o nosso estilo de vida. Foram escolhidas várias categorias de terrenos (agrícola, pastagens, oceanos, floresta, energia fóssil e construídos) e de consumo (alimentação, habitação, energia, bens de consumo, transportes, etc). Cada categoria de consumo – que pode ser mais ou menos desagregada – é convertida numa área de terreno (em princípio de uma das categorias apresentadas) por meio de factores calculados para o efeito.

Há um teste em PDF para calcular a sua pegada ecológica. Não é nada preciso, mas dá pra ter uma noção de como está o seu impacto na natureza. Está publicado numa página do site da Escola Superior de Biotecnia da UCP.

A minha pegada ecológica está entre 4 e 6 hectares (resultou em 245 ponto). Muito para um casal sem filhos, mas não tenho culpa que meu apartamento não tem aquecimento a gás.

A minha consciência sobre o que eu compro mudou muito em função da reciclagem. Por exemplo, eu gosto de cerveja. Aqui em Portugal temos garrafas de cerveja não retornáveis, de 1 litro. Eu dou preferência por comprar essa garrafa de 1 litro em vez de comprar um pack de 6 long necks, porque é mais vidro, mais metal e o papel que amarra as 6 garrafinhas.

No caso do refrigerante, é preferível que você seja adepto das garrafas de vidro do que das garrafas de plástico. O vidro é 100% reciclável (o vidro de uma garrafa, quando reciclado, faz uma outra garrafa com as mesmas dimensões), enquanto as garrafas de plástico (que são chamadas PET porque é mais fácil do que dizer Politereftalato de etileno) têm um aproveitamento de 70% apenas.

Procuro comprar produtos feitos em Portugal, porque o transporte (lê-se: quantidade de combustível utilizado poluindo o ambiente) impacta na natureza. Evito alimentos prontos (como aquelas refeições congeladas) porque há muita embalagem (alumínio ou isopor ou plástico e papel). Claro que às vezes, na preguiça, eu recorro à lasanha congelada, mas não é minha refeição garantida da semana.

Quando eu vou ao mercado ou à mercearia e compro algo pequeno, eu não ponho em sacola plástica o que comprei, guardo dentro da bolsa.
E quando vou ao mercado fazer uma “comprinha” eu procuro levar as sacolas de casa. Comprei até uma sacola de lona, pra que dure mais e seja reutilizável mais e mais vezes. Minha motivação veio do vídeo abaixo. Está em inglês e não tem legenda,  mas caso não fale o idioma, não se preocupe. Dá pra entender bem a mensagem rsrsr

O Continente fez sacolas degradáveis, que se decompõem mais rápido agredindo menos a natureza. São sacolas plásticas, mas conforme vc vai usando ela fica toda quebradiça, parecendo um papel amassado. E não são aquelas sacolinhas fraquinhas que arrebentam com 1 kg de arroz. São sacolas resistentes, que seguram 2 garrafas de vinho, sem medo de ser feliz.

São pequenas atitudes como essas que fazem a diferença. Se todos tiverem pelo menos a mesma preocupação com as sacolas de mercado e com a distribuição do lixo de forma seletiva, o impacto na natureza seria muuuuuuito menor.

Existe também outro objeto no alvo na reciclagem, mas ainda não tem um nome carinhoso.rolhinhas É a reciclagem de rolhas de garrafas. Consome-se muito vinho cá em Portugal (também pudera, né? É fabricado aqui e mais barato que cerveja), e o que fazer com as rolhas? A Quercus colocou caixas para recolha das rolhas de garrafa na entrada de alguns estabelecimentos comerciais. Aqui perto de casa fica na porta do Continente. Sempre que vou fazer compras, levo as rolhas comigo, pra depositá-las lá.
As rolhas de cortiça recicladas nunca são utilizadas para produzir novas rolhas, mas têm muitas outras aplicações, que vão desde a indústria automóvel, à construção civil ou aeroespacial. Como? Não faço idéia. Mas se o lema é reciclar, eu tô dentro.

E… seguindo o raciocínio de todos os pontos de reciclagem daqui, fica a sugestão para o nome: que tal Rolhão?

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